sábado, 10 de julho de 2010

Dois anticorpos trazem nova esperança para vacina contra a Aids

Cientistas descobriram dois poderosos anticorpos capazes de bloquear, em laboratório, a maioria das cepas conhecidas do vírus da inumodeficiência humana adquirida (HIV), abrindo potencialmente o caminho para uma vacina eficaz contra a Aids, segundo trabalhos publicados esta quinta-feira.

Mais de 25 anos depois da identificação do vírus HIV, responsável por quase 30 milhões de mortes no mundo, a busca por uma vacina contra a infecção continua infrutífera, apesar dos grandes esforços da comunidade internacional e dos recursos empregados.

Mas estes dois antígenos, batizados de VRCO1 e VRCO2, parecem muito promissores, pois impedem a infecção de células humanas em mais de 90% das variedades do HIV em circulação, e com uma eficácia sem precedentes.

Os autores destes trabalhos, publicados na edição de 9 de julho da revista científica americana "Science", desmontaram também o mecanismo biológico através do qual estes anticorpos bloqueiam o vírus.

"A descoberta desses antígenos de poderes excepcionalmente amplos de neutralização do HIV e a análise que explica como operam representam avanços animadores para se descobrir uma vacina capaz de proteger de forma ampla contra o vírus da Aids", comemorou o doutor Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional Americano de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID).

"Além disso, a técnica a que as equipes de pesquisa recorreram representa uma nova abordagem que poderia ser aplicada à concepção e ao desenvolvimento de vacinas contra muitas outras doenças infecciosas", acrescentou, em um comunicado.

Estes virologistas descobriram dois anticorpos, produzidos naturalmente pelo organismo, no sangue soropositivo.

Eles conseguiram fazer seu isolamento usando uma nova ferramenta molecular, uma das proteínas que formam o HIV, que os cientistas modificaram para que se fixasse em células específicas que produzem os anticorpos que neutralizam o HIV.

Esta proteína foi programada para reagir exclusivamente nos anticorpos específicos onde o vírus se une às células no organismo humano que infecta.

Depois destas descobertas, os cientistas começaram a desenvolver componentes de uma vacina que pode ensinar ao sistema imunológico humano a produzir grandes quantidades de anticorpos similares aos antígenos VRC01 e VRC02.

"Aproveitamos nossa compreensão da estrutura do HIV, neste caso de sua superfície, para afinar nossas ferramentas moleculares que permitem ir diretamente no ponto fraco do vírus e nos guiar na escolha de anticorpos que se unem especificamente a este ponto e o impedem de infectar as células humanas", explicou o doutor Gary Nabel, do NIAID, que codirigiu as duas equipes de cientistas em várias universidades, como a faculdade de Medicina de Harvard (Massachusetts, leste dos EUA).

Encontrar anticorpos capazes de neutralizar cepas de HIV em todo o mundo foi, até agora, muito árduo, já que o vírus muda constantemente as proteínas que recobrem sua superfície para escapar da detecção do sistema imunológico, destacam os autores destes trabalhos.

Esta capacidade de mutação rápida resultou em um grande número de variações do HIV, mas os virologistas puderam detectar alguns pontos na superfície do vírus que permanecem constantes nas cepas, como as que unem os anticorpos VRCO1 e VRCO2. G1

Relacionamento aberto exige compromisso, sem exclusividade

Muita gente insiste em dizer que não existe mais amor de verdade, que as pessoas não querem se comprometer e que, por isso, muita gente está insatisfeita com os relacionamentos amorosos. O que acontece de fato é que as pessoas têm mais liberdade para assumir comportamentos, enquanto há algumas décadas eram totalmente condenadas por optar pela separação, por relações extraconjugais ou relacionamentos mais livres, em que ambos podem ter uma vida social, sexual e até amorosa fora do casamento.

Hoje, entretanto, há mais pessoas tentando esse tipo de relação amorosa conhecido como relacionamento aberto, em que os parceiros têm a liberdade de sair com outras pessoas e relacionarem-se sexualmente e até amorosamente com elas, neste caso poliamor - uma das variações do relacionamento aberto. A psicanalista Regina Navarro, em seu livro "A Cama na Varanda", observa que as pessoas não têm mais que se adaptar a modelos impostos de fora, e então, cada vez mais abrindo um espaço onde novas formas de viver, assim como novas sensações, podem ser experimentadas. Os filósofos Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, um dos casais mais célebres da História, viveram um relacionamento assim, que durou 50 anos. Essa liberdade era exercida mediante um pacto, no qual eles contavam os detalhes de suas aventuras amorosas um para o outro.

Mulheres Vs. Homens?
Não é à toa que muita gente é totalmente contra esse tipo de "acordo". Uma das razões é explicada pela biologia. A mulher tem um repertório de gametas sexuais formado desde o nascimento, que amadurecem na primeira menstruação. A partir daí, ela libera um óvulo por mês. Isso tende a fazer com que ela se comporte de uma maneira mais seletiva do que o homem, que tem todos os espermatozoides renovados a cada 32 horas. Ou seja, isso explica em partes porque os homens, muitas vezes, priorizam a quantidade de parceiras, enquanto as mulheres procuram relacionamentos mais duradouros. Mas essa é apenas uma parte da questão, tendo em vista que a maneira como somos educados e as nossas escolhas também têm grande influência nos relacionamentos amorosos.

Entretanto, independentemente do fator fisiológico, a vontade de variar existe. A maioria de nós já sentiu vontade de viver uma relação com alguém que lhe agradou, não importando se ama outra pessoa. O fisiologista de comportamento da Unifesp, Ricardo Monezzi explica que a partir dessa ideia, sai o conceito de fidelidade, como exclusividade sexual, e entra com maior importância e força o conceito de lealdade, que envolve a sinceridade e o companheirismo. Uma das ideias expostas por Regina Navarro é que os mais variados aspectos podem provocar o desejo, mas somos historicamente limitados pela ideia de exclusividade sexual.

Amor sem pronomes possessivos
O casal Heloísa Fernandes e Pedro Mascarenhas mantêm um relacionamento aberto há oito meses. Antes disso, nenhum dos dois tinha vivido nenhuma experiência assim. "Sempre senti que um relacionamento aberto era a melhor solução, mas não tinha coragem para assumir algo assim. Posso sair com outras pessoas quando quero, mas tenho um forte compromisso em não deixar o Pedro de lado. Procuramos nos ver com frequência e até hoje nenhum relacionamento que tivemos interferiu negativamente no nosso", conta Heloísa. Para Heloísa, esse modelo combina com a concepção que ela tem sobre o amor: "nos amamos de verdade e acredito que o amor de fato só existe quando o outro é livre para escolher. Quem ama não quer o outro como sua posse, ou como a satisfação de suas idealizações. Quem ama quer o outro livre e feliz", conta a estudante. "Nossos pais não sabem disso. Prefiro não dizer ainda, pois é algo que, provavelmente, eles entenderiam como promiscuidade", conta ela.

Pedro, no começo, temeu entrar nesse tipo de relação e acha que o acordo deve ser bem conversado: "com certeza um relacionamento aberto não é oposto à responsabilidade. Acredito que em um relacionamento responsável são indispensáveis a comunicação, a confiança e a sinceridade. Só assim é possível amar sem porém, incorporando tudo o que de bom e o que de ruim um relacionamento oferece - inclusive a satisfação sexual", diz ele, que tem 21 anos. Entretanto, ele não considera adequado o modelo do poliamor, pois acha que o amor é uma construção, que demanda tempo e dedicação.

João Lestrange, professor, tem um relacionamento aberto com Gustavo Molina Turra há quatro anos. Hoje, os dois moram juntos e só adotaram o relacionamento aberto depois de um ano de namoro. "Ficamos com outras pessoas, mas não há envolvimento sentimental. Sempre procuramos contar sobre os outros relacionamentos um para o outro e nos amamos de verdade", conta João. Nem tudo são rosas, no entanto. João não obteve aprovação da mãe, mas seguiu nesse modelo, pois acredita que é mais feliz assim, desde que tudo seja bem conversado.

Para quem diz não
Muitas pessoas têm simpatia pela ideia do relacionamento aberto, mas sentem que não conseguirão viver felizes dessa forma. "Quando há dúvida e ciúmes, investir nesse tipo de relação não trará a menor satisfação", diz Ricardo Monezzi. Portanto, ceder a um relacionamento aberto só porque você se apaixonou por alguém que quer exercitar esse modelo pode trazer uma enorme frustração. Se alguém tem outros relacionamentos às custas da mágoa do companheiro pode ter certeza de que não estamos falando de um relacionamento. "Tudo deve ser uma escolha consciente, tendo em vista que envolve aspectos muito sérios, da vida amorosa de cada um", diz Ricardo. Minha Vida

Neurolinguística ajuda a entender como o ser humano funciona

Participar de uma competição esportiva exige determinação, disciplina e muito treino. Se essa competição for uma Copa do Mundo, a pressão é ainda maior. O jogador precisa estar preparado para executar sua melhor performance a fim de conquistar o prêmio máximo: a tão sonhada taça.

Em uma situação como essa, qualquer um pode ficar ansioso, nervoso e agitado. Mas esse comportamento, tão comum no dia a dia, chega a ser fatal para a realização do sonho do jogador que quer mostrar suas habilidades no maior evento esportivo do gênero.

Por sorte o atleta não precisa passar por essa prova sozinho: ele conta com a ajuda de um técnico que o auxilia na preparação técnica e psicológica para a competição.

A sintonia entre técnico e equipe deve ser total. Pode parecer piada quando os jogadores chamam o treinador esportivo de professor, mas esse é um dos papéis que esse profissional precisa cumprir.

O esportista conta com o suporte do técnico para balancear sentimentos de insegurança, medo ou euforia. É essencial que ele nunca se conforme com uma performance mediana sabendo que seu pupilo tem capacidade para ir além.

Como a neurolinguística pode ajudar?
A Programação Neurolinguística (PNL) ajuda a entender como o ser humano funciona, como se estrutura sua experiência subjetiva, ou seja, de que forma cada pessoa interpreta o que acontece a seu redor e como se comunica com os outros.

Por meio das técnicas de PNL o treinador pode incentivar o jogador a se conhecer melhor e a entender quais são suas limitações e dificuldades e como desenvolver comportamentos positivos para superá-las.

É importante que o técnico saiba quando recuar e deixar o atleta demonstrar suas fraquezas, para que essas sejam trabalhadas antes do grande campeonato.

Preparar-se para uma competição esportiva é um trabalho em equipe, e cabe ao treinador incentivar cada jogador a confiar em si mesmo, para que se veja capaz de alcançar seus objetivos e para que encare as premiações como consequências desse êxito.

Um bom técnico mantém em todo o time um estado de motivação e foco que permanece bem depois da final do campeonato. Com a ajuda da PNL, pode formar não apenas jogadores bem preparados para as partidas, mas também pessoas que se conhecem bem e que são campeãs em todos os aspectos da vida. Minha Vida

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Videogames violentos têm efeitos negativos em crianças

Pesquisadora adverte sobre perigo de banalização da violência e do sexismo.
Se seus filhos são como 99% dos meninos ou 94% das meninas, que jogam videogames, e se são como 50% dos meninos e 14% das meninas, que preferem jogos "maduros" (leia-se: violentos) como o Grand Theft Auto (GTA) – distopia urbana de tiroteios, perseguições de carro, bandidos e prostitutas, onde o sangue espirra sobre a câmera – você deveria se preocupar se tal jogo irá deformar a mente de seu filho.

Cheryl Olson, especialista em Harvard de saúde pública, pesquisou as motivações das crianças para jogar videogames. E descobriu seus motivos: para se divertir, competir uns com os outros e ser desafiado. Olson então mostrou os benefícios psicológicos que o jogo pode ter, descrevendo como os videogames facilitam a autoexpressão, dramatização, interações sociais positivas e liderança. Soa mais utópico que distópico, certo?

Segundo as conclusões de Olson, 28% dos meninos e 5% das meninas gostam de "pistolas e outras armas”. Cerca de 25% dos meninos e 11% das meninas também concordam que os videogames ajudam a "conseguir botar a raiva para fora". "O jogo Grand Theft Auto, o mais popular, aparentemente, não mostra nenhuma violência contra crianças ou animais, mas dá enorme liberdade para a desordem", escreve Olson. Ela vê, porém, uma função supostamente educativa do jogo violento, “É chocante, mas o GTA afia as habilidades de resolução de problemas. Um menino aprendeu uma maneira rápida de encontrar passageiros para seu táxi: ele atropelava os pedestres e esperava que se levantassem e subissem em seu carro”.

Também é preocupante a maneira como os homens administram as “relações” com as mulheres: o jogo mostra, por exemplo, como se deve negociar com uma prostituta. Mesmo uma breve exposição a essas imagens aumentaria as tentativas de assédio sexual pelos homens, segundo um estudo de 2008 conduzido pela psicóloga Karen Dill, da Fielding Graduate University.

Embora observe que os jovens podem se beneficiar de jogos de terror e sobrevivência, Olson ressalva que a exposição a jogos violentos pode dessensibilizar as pessoas e banalizar a violência. Em 2006, Bruce Bartholow, psicólogo da University of Missouri, e colegas relataram que jogadores desse tipo de jogos, expostos a imagens violentas, apresentam menor ativação de uma onda específica do cérebro que os jogadores de jogos “comuns”, indicando que eles se sentem menos aversão à violência.

Imagens violentas podem nos afetar de inúmeras maneiras sutis, aumentando a hostilidade e a indiferença com aqueles que nos rodeiam. Por isso, a multibilionária indústria de jogos deveria responder à pressão social e criar jogos que não sejam sexistas, racistas ou violentos, e proporcionem benefícios para o desenvolvimento das crianças.

Dara Greenwood

Será que eu sou hipocondríaco?

Conhecidos por rejeitar as opiniões médicas, o maior desafio é convencer os pacientes de que seu mal não é físico, mas pode ser tratado

De 4% a 7% dos pacientes ambulatoriais sofrem com a hipocondria. Definida como uma interpretação errônea das sensações corporais corriqueiras, uma de suas características é a forte rejeição às opiniões médicas. Segundo o psicanalista José Atilio Bombana, coordenador do Programa de Atendimento e Estudos de Somatização da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e professor do curso de Psicossomática do Instituto Sedes Sapientiae, a doença é comum a ambos os sexos e, em geral, surge entre os 20 e 30 anos de idade. Crianças também sofrem com o problema, mas para elas há esperança de recuperação na adolescência ou no início da idade adulta. O psicanalista esclarece que o quadro é fonte de angústia constante para o paciente e sua família. “O segredo é o equilíbrio: a família não deve compactuar com a obsessão por visitas médicas, exames e procedimentos desnecessários, nem ignorar o doente”. Confira a entrevista concedida à VivaSaúde.

Quais são as causas da hipocondria?
Elas ainda não foram esclarecidas precisamente, mas alguns aspectos ligados à história individual são relevantes. A valorização e o papel conferidos ao corpo e às doenças durante a vida do paciente, ou das pessoas importantes para ele, podem influenciar. Conta também a maior ou menor capacidade em lidar com as vivências físicas e psíquicas. Alguns têm recursos para pensar a respeito de si e de sua vida. Outros, nem tanto. Para estes, há maior suscetibilidade em vivenciar de modo mais concreto os fatos da vida e, assim, são mais vulneráveis às patologias, entre elas a hipocondria.

Quais são os principais sintomas?
Medo e crença de estar gravemente doente são os sintomas centrais. Os outros sinais são a iniciativa de buscar serviços de saúde repetidamente; solicitar realização de exames de modo exagerado; grande interesse por assuntos médicos e rejeição das opiniões dos especialistas. É frequente o conhecimento de variados medicamentos, embora nem sempre se faça uso deles, por temor de algum prejuízo. Sintomas de depressão e ansiedade também são comuns, bem como preocupação excessiva com o corpo, o que faz que tentem pesquisá-lo e decifrá-lo diante dos mínimos indícios.

Como é feito o diagnóstico?
Inicialmente pela constatação dos sintomas característicos, incluindo a não aceitação dos pareceres médicos. Alguma preocupação com o corpo é admissível. Mas discernir entre um traço de personalidade e uma condição claramente patológica é um desafio que só é superado pela experiência clínica. Diagnósticos diferenciais também são úteis. Primeiro, excluem-se patologias de difícil identificação; depois, deve-se dar atenção aos quadros depressivos, em que os sintomas hipocondríacos podem aparecer. Por outro lado, quando o medo de doenças é absolutamente inquestionável, podemos estar diante de um delírio hipocondríaco, que é uma psicose, outra categoria psiquiátrica.

Quando é hora de procurar ajuda médica?
Tudo dependerá da intensidade dos sintomas. Para o paciente, seu comportamento é justificável. Mas, às vezes, ele mesmo percebe que está se prejudicando. É comum que alguém do círculo familiar perceba os excessos e sinalize. Pode acontecer que um médico mais atento identifique o problema. Nos casos mais graves, o psiquiatra é o especialista indicado para tratar a doença, porém, na maioria das vezes, o paciente não aceita essa opção. Afinal, ele se sente “doente do corpo, não da cabeça!” Assim, o profissional mais próximo do paciente, que pode ser o clínico geral, é fundamental.

Medo e crença de estar gravemente doente são os sintomas centrais da hipocondria. Mas outros sinais, como buscar serviços de saúde repetidamente, podem aparecer

Qual é o limite entre o desejável cuidado com a saúde e a hipocondria?
Cuidados com o próprio corpo são essenciais para nossa preservação. Os que ignoram completamente os sinais emitidos pelo organismo correm o risco de adoecer. Entretanto, quando o cuidado é exagerado, a hipocondria passa a permear toda a vida da pessoa e ela viverá em função disso.

Hipocondríacos estão expostos a quais riscos?
Talvez o maior deles seja investir grande parte da energia na busca de algo imaginário. Relacionamentos e trabalho ficam em segundo plano. Some-se a isso o sofrimento da pessoa e dos que lhe estão próximos. Há ainda o estabelecimento de um mal-estar na relação médico-paciente, a solicitação de exames desnecessários e arriscados, bem como cirurgias questionáveis, cujas causas são a insistência do paciente e a resposta inadequada do médico. Por outro lado, testes importantes podem ser negligenciados. A verdade é que, como qualquer outra pessoa, o hipocondríaco pode adoecer. Outro perigo é a automedicação, mas ressalvo que o temor da ação dos fármacos inibe muitos desse impulso. E em um nível mais amplo, incluo os gastos extras para o sistema de saúde.

A recusa em se medicar é considerada um distúrbio?
Existem pessoas que ignoram as próprias necessidades. E isso pode acontecer em uma atitude onipotente do tipo: “Essas doenças não me atingem”. Na hipocondria, o indivíduo vivencia seu corpo como doente, estragado, fatores que causam angústia e sofrimento constantes. Há casos em que o bem-estar não pode ser alcançado por culpas inconscientes, e o próprio indivíduo não se dá conta disso. É como se estivesse presente um aspecto masoquista, no qual existe uma imposição de ter de tolerar o sofrimento e, para fazê-lo, prevalece a recusa aos tratamentos e às medicações.

Há algum tipo de classificação da doença?
O quadro de hipocondria, assim como outros quadros psiquiátricos, pode apresentar diferentes graus de comprometimento. Existem pacientes que, apesar dos seus medos e receios, conseguem manter seus relacionamentos, vínculos sociais e até alguma atividade profissional. Porém, há quadros em que o todo está comprometido por causa da gravidade da doença. Entre um polo e outro ocorrem manifestações clínicas e consequências variadas. Existem também casos de hipocondria transitória, geralmente relacionados a situações estressantes. Destaco, ainda, situações em que o paciente não se dá conta do exagero das suas preocupações, a chamada hipocondria de insight pobre.

Como é feito o tratamento?
Casos menos graves podem ser conduzidos por clínicos gerais que tenham tolerância e disponibilidade. E os médicos devem perceber que, muitas vezes, as queixas repetidas encobrem angústias que os pacientes não conseguem exprimir. Por isso, eles devem reservar algum tempo para ouvir o paciente, tendo o cuidado de não fazer encaminhamentos desnecessários, nem solicitar exames exaustivamente. Casos mais complexos requerem atuação de especialistas (psiquiatras e psicólogos). A abordagem terapêutica inclui psicoterapia e, eventualmente, medicações. A psicoterapia tem papel importante, pois é o recurso que pode promover mudanças no funcionamento psíquico. Não existe medicação específica para hipocondria. Quando existem sintomas depressivos associados, os antidepressivos se mostram bastante úteis. Diante da preponderância de ansiedade, ansiolíticos ajudam desde que se evitem dependências pelo uso prolongado.

Há cura para a doença?
O curso da hipocondria tende a ser crônico e flutuante, existindo, porém, indicações de que 1/3, ou até metade dos pacientes, apresente melhora significativa. Aqueles que se dispõem ao tratamento (psicoterapia e eventualmente medicações) podem obter melhora, em graus diferentes. E isso se dá como consequência de avanços mentais que permitem identificar e expressar conflitos psíquicos em termos psíquicos, e não mais em termos somáticos, como antes. Isso pode fazer uma grande diferença em suas vidas.

Janaina Resende Viva Saúde

INVEJA:Que sentimento será esse?

Dicionário Aurélio: Desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem - Desejo violento de possuir o bem alheio - Objeto de inveja.

Vejamos se o Aurélio está certo...

Inveja é um dos sentimentos que pode causar as maiores dores no ser humano. Geralmente, quando existe uma estima de algum objeto de desejo, e ainda se este der status, a inveja se instala. (Diz-se objeto de desejo para coisas não palpáveis também). É fruto também da comparação com as outras pessoas. Ela não existe sem que antes o indivíduo não tenha feito comparações. É a auto-aversão por não ser como os outros são.

É preciso contudo, diferenciar a inveja, da busca do bem-estar. Pode se dizer que é errado trabalhar, lutar para se conquistar o objeto de desejo? O desejo pela conquista do objeto que nos falta, quando feito com humildade e honestidade, não é inveja.

Se uma pessoa destaca-se em alguma atividade, por mais tola que possa parecer, o invejoso está pronto para aparecer e apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. Um eletrodoméstico novo, um tênis da moda, ou mesmo um brinco bem colocado em combinação com uma roupa extremamente comum, já se torna motivo para elogios, nem sempre sinceros. Surge um sentimento de raiva, de ira, porque geralmente o invejoso sente-se muito mais merecedor da conquista do que o outro. O invejoso não agüenta ter uma outra pessoa invadindo seu território, que em sua lassidão, deixou de ocupar, por pura incapacidade e ou inércia. O invejoso é capaz de boicotar, de fofocar de fazer armadilhas, a fim de destruir o outro. Quer provar, ao menos para si mesmo, que ele é melhor. Mas no seu íntimo, sente-se menor do que os outros, aumenta, se vangloria, enaltece a si mesmo, pois dessa forma abranda o mal-estar do desequilíbrio. Fala excessivamente bem das próprias coisas, procurando diminuir o outro através de crítica. Não percebe muitas vezes suas frustrações, é como se nem existissem, porque logo está de prontidão, pronto para realizar mais um feito de diminuição, descaracterização, burlando suas próprias angústias.

Geralmente, as mulheres exteriorizam mais esse sentimento do que os homens. Estes, procuram outras saídas na exteriorização desse sentimento.

Você com certeza já ouviu frases (ou pensamentos) assim vindas do homem (o que não significa que não venham de uma mulher também):

"Nossa, que bonito carro, gostaria de ter um assim!"

"Que trabalho interessante, queria tê-lo feito!"

"Olha só, que namorado(a) lindo(a), podia ter a mesma sorte!"

Se a surpresa diante de algo, for digna e generosa, não há inveja destrutiva. Trata-se apenas de um incentivo, um grande estímulo para que nos empenhemos em adquirir novas virtudes, produzir melhores trabalhos, realizar melhores conquistas amorosas.

Talvez esse processo todo venha da convivência no ambiente familiar, onde comparações são freqüentes, sem contar com a sociedade, que propaga na mídia processos comparativos, entre as várias marcas apresentadas.

A melhor solução pode estar na forma de utilizar e de encarar a inveja, que, visualizada em termos comparativos pessoais de evolução, do antes e depois, do ontem e do hoje, deixa de ser inveja destrutiva para ser uma inveja de auto-estímulo. Ou seja, o padrão de comparação deixa de ser externo e passa a ser interno.

Aqueles que sabem fazer o bom uso da inveja, utilizam frases assim:

"Nossa, que bonito carro. O meu também me conduz, antes andava a pé!"

"Que trabalho interessante. Eu posso aprender com ele, antes nem sabia como fazer!"

"Que namorado(a) lindo(a). A minha é tão companheira, antes me sentia só!"

O objeto de desejo, só nos dá satisfação, quando a conquista é nossa, e não quando é feita em cima da conquista do outro. Destruir o outro, não fará você chegar aonde o outro chegou. Sua personalidade, desejos, características não são iguais as das outras pessoas, então não adianta usar as demais pessoas como medidas para a vida que é SUA.

Márcia Homem de Mello - Publicação ABRAPSMOL
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