quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Psicóloga ensina como livrar as crianças do medo de escuro

Quem nunca sentiu medo de escuro? João Gabriel Pigliasco, de 3 anos, e Anna Clara Pigliasco, de 6, são muito espertos. Mas nem por isso escapam das clássicas figuras que surgem com a escuridão.
João Gabriel assegura que já viu uma bruxa. "Ela era bem feia", descreve.
Anna Clara conta que tem medo "desde a barriga da mamãe".
"Todos nós, quando estamos no escuro, perdemos a referência. Com a criança acontece a mesma coisa, logo ela tem medo", explica a psicóloga Lilan Lerner Castro, do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Anna Clara, mais velha e mais prática, tem a solução para os momentos de angústia: "Quando eu estou sozinha no escuro, vou direto para a cama da mamãe".
A mãe garante que isso só acontece de vez em quando. "Quando ela vê um filme que tem alguma cena que cause medo, susto, não consegue dormir à noite. Então, vai se acomodando na cama ao nosso lado. Esperamos ela dormir e a levamos de volta para o quarto", conta a engenheira Annamaria Pigliasco.
Para a psicóloga Lilian Lerner, os pais devem mesmo evitar que a criança durma com eles. "Deixe uma luzinha acesa no corredor. Vá com a criança para a cama dela, procure acalmá-la e depois volte para sua cama. Na medida em que a criança for conseguindo superar esse medo, feche a porta dela gradativamente. O ideal é que a criança possa ir vencendo os medos", diz.
Por enquanto, Anna Clara e João Gabriel têm suas luzinhas no quarto, cada um com seu tema preferido. Mas tem ainda um recurso que eles compartilham, com muito estilo: um par de óculos com lanternas.
Medo do escuro, de monstro, de palhaço, é uma reação típica dos primeiros anos de vida. Como é também a ansiedade de separação, quando, por exemplo, a criança chora muito para ficar na escola. Mas nada disso pode ser em exagero, nem durar muito tempo.
"Medo excessivo pelo período de seis meses, começamos a pensar em um transtorno de ansiedade. Mas, antes de mais nada, o fundamental é uma conversa carinhosa. É importante que os pais conversem com a criança, saibam dos medos que ela tem. Uma coisa que não funciona normalmente na infância é dizer para a criança que o medo não é nada, que isso não existe ou mandá-la deixar para lá", explica Lílian Lerner.
Paciência, compreensão e carinho: receita antiga que sempre funciona. E nada de passar medos adultos para crianças. "Famílias muito ansiosas, superprotetoras, também podem contribuir para que a criança se torne ansiosa demais", diz a psicóloga.
Convivendo bem com seus medos, o que João Gabriel não quer mesmo é responder perguntas chatas que os adultos teimam em fazer.
Fonte: Globo Reporter