segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Seja autêntico. Seja sincero com você mesmo

Seja verdadeiro consigo mesmo. Não é preciso que você corrija ninguém no mundo. Não tente mudar os outros, nem lhes dar lições. Não seja autoritário e nem reformador. Se você mudar a si mesmo, será o bastante como mensagem para ser seguida.

Ser autêntico é ser sincero consigo mesmo.

Como conseguir isso?

Você precisa se autoconhecer, ouvir sua voz interior. Descobrir seus talentos e habilidades. Descubra o que gostaria de ser, qual profissão gostaria de exercer. Descubra seu guia interior que vai lhe ajudar a seguir com segurança na sua caminhada na Terra.

Por exemplo, não pode decidir ser engenheiro ou médico apenas por que alguém disse o que você dever ser. Você precisa descobrir quais são suas vocações e aptidões.

Você pode seguir várias orientações dos seus pais, dos professores, pois geralmente eles têm boas experiências e sabedoria. E, muitas vezes, você pode renunciar a muitas coisas, mas não renuncie ao que for essencial para você.

Quando fizer o que gosta, ouvir sua voz interior, terá sucesso e realização profissional. Você se sentirá valorizado, útil e necessário para o mundo.

Acredite no amor. Não se torne frustrado tendo relacionamentos ou se casando com quem não quer. Escolha quem vai compartilhar de sua vida, ouvindo a voz do coração e da razão.

Como ouvir sua voz interior?

É preciso purificar a mente. Sem acalmar a turbulência da mente, a inquietação e ansiedade, você ouve apenas a mente negativa e não tem contato com seu Ser interior, fonte de toda sabedoria, amor e criatividade.

A meditação existe para ouvir a voz interior. Assim, se você deseja ser mais realizado e feliz,crie o hábito regular de meditar. (clique aqui para aprender a meditar).

Outro ensinamento importante é não usar máscaras do ego para fingir o que você está sentindo. Se estiver triste, não precisa ficar sorrindo, fingindo que está alegre. Se estiver alegre, não precisa se sentir culpado porque os outros estão tristes. Seja verdadeiro com você mesmo e com os outros.

Tudo passa. Às vezes, você está sofrendo alguma dor física ou emocional, mas depois você melhora. Não alimente a tristeza criando estados depressivos, mas permita ser sincero consigo mesmo.

Se fingir o que está sentindo, você vai se dividir em dois – uma parte menor de você está sorrindo, e a parte principal continuará triste. E, depois, até sozinho, você continua fingindo porque isso vai se tornando um hábito automático e arraigado.

Aprenda a dizer sim quando quer dizer sim e, diga não quando quer dizer não. Se sempre fizer o que não quer apenas para agradar os outros ou viver o papel de “o bonzinho”, você vai sentindo raiva e reprimindo-a. E, depois, acaba explodindo e magoando as pessoas, mesmo sem querer, porque engoliu sapo e reprimiu emoções negativas. Isso cria disfunções e bloqueios no mecanismo do seu corpo.

Não reprima a raiva. Libere isso. Se sentir vontade de chorar, chore. É um mecanismo natural para liberar os bloqueios do corpo. Quando uma vez ou outra, você deixa as lágrimas correrem, quando realmente chora, seus olhos se limpam, você se purifica e se revigora, porque as energias bloqueadas e as emoções reprimidas são liberadas.

Alguns homens desenvolveram a noção errada de que não devem chorar. Quando crianças, ouviram de alguém ou até dos pais, que era fraqueza ou coisa de mulher chorar.

Mas, isso é um equivoco. Pois, se fosse apenas para as mulheres, os homens não teriam também glândulas lacrimais, na mesma proporção que existem nas mulheres.

Se você chorar sinceramente, quando sentir vontade, você também conseguirá rir, porque essa é a outra polaridade do ser humano. Permita-se dar risadas. Seja você mesmo, liberando suas máscaras e autoimagem negativa.

A pessoa que reprime a raiva fica com a mandíbula bloqueada. Isso gera até problemas dentários, porque muita energia negativa fica acumulada nos dentes. A pessoa com raiva come mais, fuma mais, torna-se um falante obsessivo, porque a mandíbula fica bloqueada .

E, como a mandíbula precisa de exercício para que um pouco dessa energia seja liberada, a pessoa alimenta vícios, engorda, fica nervosa, de mau humor. Tudo por causa da raiva acumulada.

Entenda que a raiva vem dos desejos insatisfeitos, da não aceitação do momento presente, do ego que não quer ser contrariado, do julgamento.

É humano sentir raiva, mas não alimente essa raiva. Deixa que ela venha e se vá. Não fique remoendo o que lhe causou raiva. Não fique se martirizando guardando mágoas, se lembrando do que lhe fizeram. Isso é inútil e vai apenas aumentar sua raiva e sofrimento.

É importante libertar-se da raiva, que é uma energia negativa poderosa que lhe impede de se conectar com sua verdadeira essência. Não desenvolva o hábito de não ser verdadeiro. Desenvolva mais tolerância com seus familiares, amigos e companheiros de trabalho. Aceite mais a si mesmo, os acontecimentos e as outras pessoas como são.

Outro ensinamento importante sobre a autenticidade: permaneça sempre no presente, porque as máscaras do ego, que são as falsidades internas, vêm tanto do passado quanto do futuro. O que passou, passou. Não se preocupe com isso e não carregue o passado como um fardo, pois isso não vai permitir que você seja autêntico em relação ao presente.

E o que não aconteceu ainda não aconteceu. Não se incomode sem necessidade com o futuro; do contrário você não será feliz no momento presente. Entender isso é vital.

Nem passado, nem futuro – o momento é tudo.

Cada momento tem sua característica peculiar, e nenhum momento precisa ser coerente com nenhum outro momento. A vida é um fluxo, é um rio que segue em frente mudando seus humores.

Assim, às vezes, você se sente triste. Não se julgue. Isso acontece. E depois você começa a sorrir de novo. Não se sinta culpado por se sentir triste ou por estar sorrindo. Simplesmente, seja verdadeiro consigo mesmo. Fique em paz! Namastê! Deus em mim saúda Deus em você!


Vya Estelar

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Família toda de carona

Papai, mamãe, irmão mais velho, bebê recém-nascido, avós e até a bicharada. Todo mundo foi parar na traseira dos carros, em adesivos de bonequinhos com traços infantis que representam os membros da família. É só dar um passeio rápido nas ruas para descobrir como são os lares do donos dos veículos a nossa volta. A moda espalhou-se rapidamente por todo o Brasil e é bem provável que você já tenha pensado no assunto. Seja porque gostou da ideia ou porque nem cogita expor seus filhos dessa maneira.

Sem imaginar a repercussão que teria, o designer Germano Spadini criou seu primeiro adesivo da família há três anos, ao descobrir que sua esposa estava grávida do primeiro bebê. Os amigos e familiares gostaram da novidade e, logo, Spadini percebeu que ali estava uma boa oportunidade de negócio. “Quando fiz, não tinha visto em lugar nenhum. Não sei se fui o criador”, revela.

No mercado desde 2003, sua empresa especializada em adesivos decorativos Job Design Criaativo, hoje vende cerca de 10 mil autocolantes de bonequinhos por mês. Com preços variando de R$ 2 a R$ 5 cada unidade, a procura é tanta que ele lançou no início de 2011 duas novas linhas, incluindo personagens cadeirantes, obesos, negros e orientais. Também é possível encomendar um pai country, uma mãe malhada e um avô churrasqueiro, por exemplo. Além da loja física no bairro do Tatuapé, em São Paulo, e da loja virtual, o empresário também distribui para casas de decoração, de artigos infantis e de acessórios automobilísticos.

O empreendedor conta que o kit de maior venda é formado pelo casal, com duas crianças e um bicho. “Mas já fizemos de tudo, até uma família de mãos dadas com Jesus”, diz Spadini, que chegou a confeccionar um pai falecido (o bonequinho tinha asas de anjo, a pedido da esposa viúva), um casal de cabeleireiros gays e uma família enorme, com mãe, pai, 4 filhos, avô, avó e 7 animais. Recentemente, a empresa começou a fabricar os autocolantes em tamanho real, para aplicar nas paredes de casa.

Mas como todo modismo, essa mania também tem pontos positivos e negativos. Para o psicólogo e professor da Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Antonio Carlos Pereira, as pessoas precisam se comunicar com o mundo e compartilham o seu dia a dia com os outros desde o tempo das pinturas rupestres nas cavernas. Os adesivos são mais uma forma de comunicação e, segundo o psicólogo, as crianças vêem essa nova moda como uma brincadeira. Portanto, usar os autocolantes para personalizar o veículo ou como diversão pode ser uma atividade lúdica para adultos e crianças.

Foi com esse espírito de brincadeira que Mirian Mezzanotte Barneze, 47 anos, decorou a traseira de seu automóvel com 14 adesivos. Além dela, do marido e das três filhas, estão representados as três cachorras e os seis gatos que dividem o teto com eles em Bragança Paulista, no interior de São Paulo. Apesar de não achar que está expondo sua família, ela reconhece que os adereços chamam a atenção por onde o veículo passa. “Ainda quero colocar o aquário”, brinca Mirian, que até já foi reconhecida no trânsito por uma amiga por causa dos enfeites.

Mas saiba que desfilar com a família toda grudada atrás do carro não é suficiente para demonstrar orgulho aos seus filhos. As crianças percebem que os pais amam e sentem orgulho através das atitudes tomadas no cotidiano e na convivência em casa. Pereira acredita que não é preciso demonstrar esses sentimentos para o público externo e lembra que a necessidade de exposição é ainda maior nas grandes cidades. “Chega a ser um paradoxo. Você não conversa nem com os vizinhos, mas abre sua vida na internet para gente que nem conhece”.

A assessoria de imprensa da Polícia Militar de São Paulo afirma que não existe nenhuma estatística que relacione o uso dos autocolantes com qualquer tipo de crime. Ainda assim, o bom senso, como quase tudo em relação aos filhos, é o que faz diferença. Chen Gilad, diretor-executivo do grupo de segurança Haganá, concorda. Ele acredita que os adesivos não transmitem dados suficientes para bandidos planejarem um assalto ou sequestro e lembra que redes sociais, como Orkut e Facebook, contêm informações muito mais detalhadas. “É preciso ter em mente que qualquer informação que você passa pode ser utilizada por alguém mal intencionado. Mas se você quiser esconder tudo, não vai viver.” E na garagem da sua casa, essa moda já colou?


Crescer

Esmalte na gravidez pode?

Sabe aquela história de que tudo na gravidez precisa de autorização? Com os esmaltes é um pouco assim também. Se você adora os mais coloridos, pode continuar passando, mas das marcas que você já usava. Experimentar uma nova é periogoso, pode causar reação alérgica. Se você não faz as unhas em casa , leve seu kit manicure no salão de beleza. Se quiser estar com as mãosm lindas no parto, passe um esmalte transparente, como a base, porque os coloridos vão ser retirados pela equipe de enfermagem. O problema é que uma das maneiras de o médico checar se a sua circulaçao está boa é pelas unhas e, se a camada do esmalte for muito grossa, pode atrapalhar os resultados do oxímetro, um aparelho que é colocado no seu dedo para checar a oxigenação.


Crescer

Tecnologia é aliada no procedimento de implante dentário

A odontologia, assim como outras áreas da ciência da saúde, apresentou grande desenvolvimento nos últimos anos. Avanços nas áreas da informática, de materiais e de engenharia de tecidos talvez tenham sidos os principais responsáveis por esta transformação.

Dentro deste cenário, a implantodontia dental também foi beneficiada por todo este movimento. Na década de 60, inicialmente, foram definidas as bases desta ciência. Na época, após a colocação dos implantes, aguardava-se um período de 3 a 6 meses para confecção da prótese dental. Período correspondente a remodelação do tecido ósseo sobre a parede do implantes. Este processo foi uma revolução na odontologia, pois podíamos reabilitar um espaço com ausência do dente, sem necessidade do desgaste dos dentes vizinhos para confecção de uma prótese.

O titânio, o material de escolha, apresenta grande biocompatibilidade com os tecidos de nosso organismo. O osso se liga a este material, provocando um processo de união bastante forte. O nosso corpo tem uma reação amigável com esse metal, portanto a idéia de rejeição não existe. O que pode acontecer, em raros casos, é não ter sucesso por falha na união do osso ao implante.

De uma maneira geral, o sucesso deste procedimento está entre 95% e 98% dos casos e também não existe limite de idade. Após a puberdade, qualquer pessoa pode receber implantes.

Alguns pacientes não apresentam volume ósseo suficiente para instalação do implante. Isso ocorre por causa de processos infecciosos, perda prematura de dentes ou acidentes. Entretanto, podemos reconstruir estas áreas através de enxerto. Para tal situação, o especialista pode utilizar tecido do próprio paciente, de animal ou de material artificial.

Mais recentemente, descobriu-se que, em muitos casos, a coroa ou a prótese sobre implante poderia ser colocada imediatamente após a instalação dos implantes. Esta técnica ficou conhecida como carga imediata. Assim, em muitos casos, podemos ter uma solução protética imediatamente após a cirurgia. Nesta técnica, a maioria das próteses é fixa, ou seja, não se soltam durante a mastigação, propiciando maior conforto, segurança e eficiência.

Atualmente, o planejamento cirúrgico pode ser feito em software. O profissional simula a cirurgia em ambiente 3D, tendo uma visão privilegiada de toda área anatômica. Estes dados são enviados a um laboratório, que confecciona uma guia cirúrgica. Após anestesia esta peça é adaptada na região desdentada. Assim, o cirurgião tem as informações sobre a inclinação e profundidade dos implantes estabelecida no planejamento virtual.

Com este recurso, não se faz necessário o uso do bisturi. Essa técnica, quando indicada pelo cirurgião dentista, pode proporcionar redução do tempo cirúrgico e da dor pós operatória.

Todas as técnicas e equipamentos dependem sempre de um profissional capacitado. Em todas as áreas do conhecimento, os avanços tecnológicos podem otimizar nossas ações, mas não substituem o conhecimento, a experiência, habilidade e o bom senso do operador. Ou seja, a tecnologia pode facilitar os procedimentos, torná-los mais simples, mas o diferencial está em como utilizamos estes recursos.

Hoje, temos muitos recursos para utilizar. O cirurgião dentista preparado é quem vai escolher a melhor estratégia e o melhor técnica para cada caso.

Um abraço.


Minha Vida

Como lidar com as amizades dos filhos

As amizades são importantes para o desenvolvimento psicossocial das crianças e possibilitam a aquisição de habilidades no convívio grupal. Esse contato social permite que a criança ou adolescente saiba mais sobre si mesmo e sobre o mundo. O aprendizado é construído na medida em que a criança amadurece, e nesse processo ela apreende noções como limites, respeito, semelhanças e diferenças, competição e solidariedade.

A criança nasce com parte de sua personalidade formada pelos traços genéticos parentais, porém esses traços mudam de acordo com o que a criança vive e com as relações que ela estabelece com o mundo. Tudo o que a criança observa, percebe ou interage irá, em maior ou menor grau, influenciar na formação da sua personalidade. Não se pode deixar de lado o modo como a criança interpreta o que vê e ouve, pois é a sua interpretação da realidade que influencia na formação da sua personalidade.

Os filhos devem ser educados com os valores escolhidos pelos pais desde a primeira infância, e não depois de crescidos, no momento em que precisarão fazer isso desses valores. Do mesmo modo deve ser ensinada a escolha de boas amizades - pelo exemplo dos próprios pais. Quando as crianças começam seus laços de amizades, lá pelos 3 ou 4 anos, os pais devem estar presentes, intermediando as relações dos filhos com seus amigos nos momentos de discórdias. Com o tempo, os pais devem se afastar um pouco, assim que perceberem que os filhos conseguem resolver sozinhos suas diferenças com os amigos. Durante a adolescência, a participação dos pais fica bem mais limitada, porém isso não quer dizer que devem distanciar-se. Nesses casos, o diálogo franco e aberto é o melhor caminho para lidarem com as escolhas de amizades dos filhos.

Seja na infância ou adolescência, os pais devem estar sempre atentos as amizades dos filhos. Conhecer os amigos, torná-los próximos da família e manter os limites de respeito não invasivo colaboram nessas relações. Os pais podem interferir nas amizades escolhidas caso percebam que elas são gravemente prejudiciais aos filhos. De qualquer modo, isso deve ocorrer através de um diálogo honesto entre pais e filhos.


Minha Vida

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Médico não é monstro

Injeção, hospital, exame de sangue… Muita gente treme só de lembrar. Diante de uma agulha, então, surge o medo. Se esse tipo de reação ultrapassa os limites e impede de cuidar direito da saúde, então é uma forma de fobia. E toda fobia merece atenção.

"Sangue!” O tom aterrador da minha mãe e a parede manchada de vermelho são as lembranças mais nítidas da cena que protagonizei aos 3 anos. Eu tinha rolado escada abaixo segurando um copo de vidro. O corte rompeu o tendão do dedo mindinho, exigiu cirurgias e fisioterapia. Mas isso não foi nada perto do impacto psicológico. Mais de 20 anos depois, eu ainda dormia mal na véspera de fazer algum procedimento médico e, na hora agá, o coração saltava pela boca. Não podia ver sangue nem sequer no cinema: fechava os olhos. “Metade da tendência de desenvolver esse tipo de fobia é genética, mas enxergar o temor de pessoas da família na infância ou até mesmo vivenciar um evento traumático quando criança pode servir de estopim”, explica a psiquiatra Carolina Blaya, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. “Em média, 4% dos indivíduos sentem algo muito ruim diante de um ferimento ou até mesmo da necessidade de ir ao médico ou tomar uma injeção.”

Esse medo se manifesta, primeiro, como mal-estar físico, incluindo tonturas e desmaios (veja quadro à direita). “E, depois de uma experiência dessas, o sujeito pode passar a evitar clínicas, laboratórios e até cadeira de dentista. Isso, claro, deixa sua saúde à mercê da própria sorte”, analisa o psicólogo Gustavo D’El Rey, que pesquisa esse tipo de distúrbio em São Paulo. “Não é raro que mulheres com o problema desistam de engravidar só porque temem o parto”, exemplifica.

O psicólogo e especialista em saúde coletiva Romeu Gomes, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, se dedicou a estudar a origem desse comportamento no sexo masculino. “Os homens evitam buscar os serviços médicos principalmente devido ao medo de um diagnóstico negativo”, observa. E, para agravar, a ala masculina é culturalmente criada para demonstrar coragem. Essa cobrança é um fator impeditivo para que procurem auxílio, já que no consultório podem se tornar mais evidentes suas emoções e fragilidades. “Infelizmente, os profissionais de saúde nem sempre estão preparados para lidar com isso”, nota Gomes.

Tem gente que não suporta nem ao menos se lembrar do cheiro de um hospital. “O lugar é associado à expectativa e à dúvida em relação a um procedimento médico e, quando essa pessoa vai lá, sempre sente estresse e ansiedade”, afirma a enfermeira Cristiana Hussne, chefe do Pronto Atendimento do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. Em outras palavras, a incerteza e a angústia se referem à possibilidade de sentir dor ou incômodo durante um tratamento. Já a aflição ao ver sangue estaria ligada a um sentimento de ameaça à integridade física e a pensamentos de morte. O importante é estar ciente e procurar ajuda quando esse tipo de raciocínio é paralisante.


Saúde é Vital

Ai, deu cãibra

Quem já teve cãibra sabe como dói. O músculo repuxa e parece que vai arrebentar. Mas ninguém precisa passar por essa chateação. Saiba o que fazer para sua batata da perna não assar

Súbita e sorrateira, ela surge quando menos se espera. Na calada da noite, embaixo dos lençóis. No domingo ensolarado, dentro da piscina do clube. Ou no futebol de terça, depois daquele pique pela direita. Quem já teve sabe... É uma dor paralisante, que pode durar de alguns segundos a vários minutos. Basta uma leve flexão do pé para baixo e... ai! A batata da perna contrai-se parecendo dar um nó. Eis a cãibra se manifestando, para desespero de suas vítimas. Mas o que provoca essa dor súbita? O que fazer para preveni-la? E como se comportar quando ela aparece?
Os especialistas ainda discutem as causas dessa contração muscular violenta e involuntária. O que existe são algumas pistas importantes para entendê-la. A cãibra geralmente se manifesta na prática de uma atividade física, sobretudo se o esportista estiver, digamos, pouco condicionado — ou mal alimentado. Sim, quando os músculos carecem de condições adequadas para realizar um esforço diferente do habitual, é espasmo na certa. “Quem exagera no tempo ou na intensidade do exercício pode sofrer cãibras por falta de vitaminas e sais minerais, o que leva à fadiga muscular”, explica o educador físico Renato Dutra, supervisor técnico da Run & Fun Assessoria Esportiva, em São Paulo.

A escassez de oxigênio na circulação também contribui para esse cansaço extremo dos músculos. Quem um dia precisou ser socorrido devido a uma baita repuxada da musculatura já deve ter ouvido falar sobre um tal de ácido lático sem saber que substância é essa. A gente explica: trata-se de uma espécie de lixo orgânico que se acumula nos tecidos musculares quando as células usam a glicose para obter energia. Isso permite ao músculo continuar o esforço sem necessidade de recorrer ao oxigênio proveniente dos pulmões. Mas o excesso de ácido lático deflagra encrencas. “É como se a musculatura ficasse sem ar e com menos espaço para se mover. E isso gera fadiga”, ilustra o fisioterapeuta Robert Velentzas, de São Paulo. “Por isso a respiração correta é tão importante durante o exercício.”

O suor da atividade física é mais um fator que ajuda no desencadeamento de cãibras. “A perda excessiva de sódio pode levar à contração muscular”, diz o fisiologista Turíbio Leite de Barros, da Universidade Federal de São Paulo. Mas o excesso de exercício, sozinho, não é suficiente para explicar o aparecimento dessas contrações famigeradas. No meio esportivo, os especialistas sabem que o xis da questão pode estar no que se bebe — na verdade, no que não se bebe. “A desidratação é decisiva para a ocorrência do problema”, informa Barros.

E quanto às cãibras noturnas? Segundo o ortopedista Moisés Cohen, chefe do Centro de Traumatologia do Esporte da Unifesp, quem faz muito esforço físico durante o dia pode ter contrações à noite. E quem não faz também — mas, nesse caso, a falta de sódio é o fator crucial. “O suor e a urina em excesso podem provocar a perda desse mineral e de outros elementos. E o organismo utiliza o sódio do músculo quando está sem reservas energéticas”, explica Cohen. “Isso gera uma resposta nervosa que leva a um estresse mecânico e às contrações involuntárias.” Ou seja... cãibras!

Moisés Cohen acrescenta que diabete, problemas neurológicos e lesões vasculares podem estar por trás de um simples espasmo muscular. “São doenças capazes de favorecer o problema”, informa o especialista. “A insuficiência renal e a hemodiálise também contribuem para a redução da concentração de sódio no sangue e muitas vezes levam a problemas musculares, assim como a carência de outros minerais, como cálcio, magnésio e potássio.” O preparador físico Renato Dutra chama a atenção ainda para a síndrome das pernas inquietas, caracterizada por uma vontade incontrolável de mexer as pernas, principalmente durante o sono — e isso também pode disparar cãibras.

Não existe um tratamento específico para essas contrações. O melhor a fazer é se condicionar antes de partir para atividades físicas mais exigentes, comer e beber o suficiente para suportar a carga extra do exercício e procurar respirar profunda e coordenadamente durante os treinos. Quem sua mais de uma hora por dia também precisa repor nutrientes. Nessa situação, valem géis de carboidrato e líquidos isotônicos, além de água. “A pessoa que se prepara para a atividade física suporta melhor o esforço e retarda o surgimento de cãibra”, resume o educador físico Renato Dutra. Ou melhor: evita esse suplício e malha em paz.


Saúde é Vital