
Até 2050, o Brasil poderá ocupar um preocupante primeiro lugar em relação às mortes provocadas por doenças cardiovasculares
Não exagere na comida
Além de escolher bem o tipo de alimento que vai à sua mesa, é preciso acertar na quantidade na hora de fazer o prato. O excesso de calorias leva ao sobrepeso, à obesidade e a uma série de doenças crônicas, como a pressão alta e o diabetes, que fazem o risco cardiovascular disparar. Assim, é preciso garantir que estamos comendo exatamente o que o corpo precisa para funcionar. Nem mais, nem menos. Nesse sentido, contar com uma consultoria nutricional será um diferencial. Porém, uma regra prática pode ajudar. "Para determinar a quantidade ideal de carne vermelha, consuma o equivalente ao tamanho da palma da sua mão. O filé de peixe ou de frango pode ocupar a mão inteira. Depois, basta adicionar 4 col. (sopa) de arroz ou massa, 1 concha de leguminosas como o feijão e a lentilha e salada à vontade", indica a nutricionista da Sabor Integral Consultoria em Nutrição Paula Fernandes Castilho.
Conheça o seu fator de risco
Existem fatores que podem ou não ser modificados. Entre eles estão a idade, o gênero e o histórico familiar. Já a pressão e o colesterol altos, o tabagismo, o sedentarismo, o diabetes tipo 2, a obesidade, o estresse, o excesso da ingestão de álcool e sal e gorduras podem ser driblados. Consulte o cardiologista uma vez por ano. Ele analisará os fatores que podem ter relação com a saúde cardiovascular e avaliará o seu tipo de risco, utilizando exames laboratoriais que endossarão essa opinião. Com base nesses dados, o médico vai dar uma orientação mais geral sobre o que você precisa mudar. Esse é, portanto, o primeiro passo para se proteger.
Mantenha a pressão sob controle
A hipertensão aumenta a prevalência de AVC em 40% e de infartos em pelo menos 25%. Portanto, manter os níveis da pressão arterial abaixo de 14 por 9 contribui para evitar o desenvolvimento de lesões no coração e também em outros órgãos, como o cérebro, o rim e a retina. Mudanças nos hábitos de vida muitas vezes são suficientes para ajudar a controlar a pressão, como tirar o sal da comida. Em geral, o brasileiro consome o dobro da quantidade recomendada, que é de seis gramas ao dia. No entanto, em casos específicos, é preciso recorrer à medicação. Daí a importância de se consultar o médico e fazer o acompanhamento regularmente.
Consuma mais peixes
Os peixes de água fria são ótimas fontes de ômega-3, gordura saudável que tem ação comprovada sobre a saúde do coração, já que contribui para reduzir os níveis de triglicerídeos e colesterol no sangue. "A consequência direta é o aumento da fluidez sanguínea e a redução da pressão arterial", diz Patrícia Bertolucci, nutricionista da PB Consultoria em Nutrição. Os peixes mais indicados e fáceis de serem encontrados por aqui são a cavala, a sardinha, o salmão, o arenque e o atum. Eles devem ser consumidos no mínimo duas vezes na semana, cozidos, grelhados ou assados.
Segure a onda do estresse
De acordo com o estudo INTERHEART, realizado com mais de 30 mil pacientes de 50 países, a terceira causa do infarto agudo do miocárdio é justamente a tensão crônica. O desencadeador desse estresse pode ser a morte de um familiar próximo, um rompimento na vida afetiva, a perda de um emprego ou conflitos no trabalho e vida pessoal. Em todas essas situações, os especialistas afirmam que o coração fica mais vulnerável a doenças. E não é de se estranhar, né? Afinal, quem já não sentiu o coração disparar ou apertar no peito nos momentos mais delicados da vida? Por sorte, há artifícios que podem minimizar essa sensação, a exemplo das técnicas de relaxamento e das práticas como a ioga e a meditação.
Evite o cigarro e o fumo passivo
Fumar eleva de modo significativo o risco de desenvolvimento de infarto agudo do miocárdio, tanto quanto de AVC. "O cigarro simplesmente dobra a chance de sofrer de doenças cardiovasculares", alerta Kalil. E não é só o coração que o tabaco prejudica, mas também os pulmões, a bexiga e o pâncreas, aumentando a predisposição a diversos tipos de câncer. Não fumar, mas conviver com um fumante, também pode ser perigoso. "Alguns estudos mostram que a fumaça que é liberada do cigarro, pelas laterais, pode ter 400 vezes mais nicotina do que a expirada pelo fumante. Portanto, o fumante passivo está exposto aos mesmos riscos que o ativo", completa o especialista.
Escolha melhor quando for comer em restaurantes
Mesmo comendo fora, dá muito bem para manter a linha e poupar o seu coração. Uma das orientações dos especialistas é dar preferência às carnes magras, como o filé-mignon, o peito de frango e os filés de peixes. Também vale escolher preparações cozidas ou assadas e temperadas com ervas e que, em geral, possuem menos sal e mais propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. "Na hora da sobremesa, escolha as preparadas com frutas, que contêm menos açúcar e são mais saudáveis", aconselha Paula.
Abaixo o colesterol!
Essa gordura é tão importante para o organismo que é produzida independentemente da ingestão alimentar. "Trata-se de uma gordura que tem papel estrutural no corpo humano. Sem ela, é impossível produzir hormônios, a bile e construir a parede celular", explica Kalil. Mas, em excesso, o colesterol pode se acumular nas paredes dos vasos, gerando a aterosclerose. Esse processo pode causar a obstrução dos vasos e a formação de coágulos. "Se isto acontece numa artéria coronária, pode ocorrer um infarto do miocárdio. Já numa artéria cerebral, pode ocasionar um AVC", diz o especialista. Para prevenir o problema, tenha uma alimentação balanceada, pobre em gorduras e pratique exercício regulares. A redução de 10% nos níveis de colesterol em um indivíduo de 40 anos pode, em cinco anos, diminuir o risco de infarto em 50%
A redução de 10% nos níveis de colesterol em um indivíduo de 40 anos pode, em cinco anos, diminuir o risco de infarto em 50%
Turbine a fruteira
As verduras e frutas de cores variadas são alimentos ricos em antioxidantes, substâncias que previnem a formação de placas nos vasos sanguíneos. "A cenoura, o tomate, a laranja, a uva roxa e as frutas vermelhas são ingredientes que não podem faltar no prato de quem se preocupa com a saúde do coração", garante a nutricionista Patrícia. O ideal é que tanto os vegetais quanto as frutas sejam consumidos diariamente, os primeiros nas duas refeições principais e as frutas no café da manhã e nos lanches.
Aumente o feijão, diminua a batata
O consumo de leguminosas, como o feijão, diminui o risco de problemas de pressão, reduz o colesterol total e o LDL, o chamado colesterol ruim. O grão é rico em fibras, em aminoácidos essenciais que não são sintetizados pelo organismo humano e em substâncias antioxidantes, que contribuem para melhorar a absorção de minerais e eletrólitos imprescindíveis para o controle da pressão arterial. O feijão pode ser consumido diariamente no almoço e no jantar. Uma concha do alimento em cada refeição é suficiente para trazer os benefícios apontados. A batata, por outro lado, é rica em carboidratos que apresentam alto índice glicêmico e, por isso, ao ser digerida, aumenta significativamente os níveis de insulina no organismo. "A alimentação rica em carboidratos, com o passar do tempo, pode levar o indivíduo a desenvolver resistência à insulina, diabetes e até mesmo obesidade", explica Patrícia. Com tudo isso, o risco de o coração falhar aumenta muito.