
A pesquisa, publicada no Journal of Dairy Science, também concluiu que a qualidade do leite ingerido pelos ingleses está mudando devido às mudanças climáticas. Os cientistas encontraram mais gordura saturada e menos ácidos graxos benéficos na bebida produzida durante um verão com mais chuva e temperaturas mais baixas (em relação à média histórica) e no inverno seguinte a esse verão atípico. “Essas condições climáticas podem afetar o comportamento das vacas, reduzindo a ingestão de capim e a produção de leite”, afirma Gillian Butler, pesquisadora responsável pelo estudo. “Para manter a oferta de leite, os fazendeiros geralmente aumentam a alimentação artificial dos animais”, completa.
Com essa descoberta, novamente, a versão sem agrotóxicos ganhou pontos. Os efeitos negativos das mudanças climáticas são menores no leite orgânico. Para receber a certificação, os fazendeiros devem alimentar o gado principalmente com pasto natural, o que melhora a composição da bebida. “Optar por laticínios orgânicos é uma boa maneira de aumentar a ingestão de gorduras benéficas, vitaminas e antioxidantes, diminuindo de 30% a 50% as gorduras saturadas”, diz Gillian.
Livre de resíduos
Independentemente dos benefícios nutricionais do leite orgânico, somente o fato de não conter químicos em sua cadeia produtiva já faria dele uma opção mais saudável. Muitas fazendas convencionais utilizam herbicidas para controle de parasitas, adubação artificial e produtos veterinários (como antibióticos, antiinflamatórios e hormônios de crescimento), que deixam restos tanto na carne quanto no leite que chegam às nossas casas. “O resíduo fica na pastagem e passa para o animal. São cancerígenos”, afirma Mônica Florião, pesquisadora mestranda em ciências veterinárias e colaboradora da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio).
Segundo Mônica, todo o tratamento de pragas e doenças na produção orgânica é feito de maneira natural, com homeopatia, fitoterapia e até mesmo acupuntura. As entidades certificadoras de alimentos orgânicos permitem o uso de, no máximo, 15% de produtos convencionais para esse controle. Por isso, é tão importante verificar se o alimento que você compra no supermercado ou na feira perto de casa tem um selo de certificação. No Brasil, há algumas instituições certificadoras, como o Instituto Biodinâmico (IBD), a Ecocert e a Associação de Agricultores Biológicos (Abio).
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