
Resultados da pesquisa feita com 834 mulheres da Dinamarca e 1.463 da Finlândia mostraram que aquelas que usaram mais de um analgésico simultaneamente (como o paracetamol e o ibuprofeno) e, principalmente, que o tomaram durante o segundo trimestre da gravidez tiveram mais chance de dar à luz filhos com criptorquidismo. Ou seja, quando os testículos não descem. Esse problema é um fator de risco para a infertilidade - pela baixa qualidade do sêmen - e câncer de testículos no futuro.
Para comprovar essa relação, os cientistas fizeram uma análise com ratos, e o resultado mostrou que, de fato, os analgésicos prejudicam a produção do hormônio masculino testosterona durante o período crucial da gestação, quando os órgãos sexuais dos meninos estão se formando. Segundo os pesquisadores, mais da metade das gestantes de países ocidentais relatou o consumo de analgésicos leves.
Segundo Eduardo Cordiolli, obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein (SP), não é preciso alarde, mas o estudo só reforça o que você já sabe: qualquer medicamento durante a gestação, seja um comprimido ou uma pomada, só pode ser usado com o aval do seu médico. “A gravidez é um período de observação, cuidado e atenção e só o especialista é quem pode avaliar o risco-benefício do remédio que a grávida terá de tomar. Há situações, como uma dor de cabeça, em que a mulher pode optar por tratamentos alternativos, como a acupuntura”, diz.
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