
Nenhum pai ou mãe fica 100% seguro e confortável ao saber que o filho precisa tomar medicamento porque tem algum tipo de distúrbio comportamental. Porém, muitas vezes, ele é fundamental para o bem-estar da criança. E um estudo divulgado esta semana trouxe ainda mais angústia para pais que têm filhos em tratamento ao afirmar que as crianças podem engordar entre 4 e 9 quilos em 11 semanas como efeito dos chamados antipsicóticos.
A pesquisa, que foi publicada no Journal of the American Medical Association (JAMA), analisou 205 crianças e adolescentes entre 4 e 19 anos que usavam algum tipo de antipsicótico, como olanzapina, quetiapina, risperidona ou aripiprazol. Segundo os cientistas, com a alteração de peso, há uma propensão maior de surgir outros problemas mais tarde, como colesterol alto e cardíacos.
Isso quer dizer que toda criança que precise usar um medicamento deste tipo irá engordar? Não é bem assim. Cada uma reage de uma maneira a determinado remédio, e, além disso, os antipsicóticos podem fazer com que o organismo acumule mais água, o que causaria o aumento dos ponteiros da balança. “Já tive crianças no meu consultório que até emagreceram ao tomar o aripiprazol”, diz José Raimundo Lippi, psiquiatra da infância e adolescência da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
A importância da família e de uma alimentação equilibrada
O aumento de peso vai depender também do hábito alimentar da criança. Segundo Lippi, a criança que está em tratamento fica mais relaxada, tranquila, dorme melhor, o que pode fazer com que coma mais. Porém, se a dieta dela for rica em gorduras e carboidratos, ela vai reter mais líquido, o que poderia ser resolvido se comesse mais fibras, por exemplo. “Quando a criança precisa usar antipsicóticos é fundamental uma reeducação alimentar da família - evitando alimentos que podem aumentar o peso e elevar a taxa de colesterol - e a inclusão de atividades físicas no dia a dia”, diz Lindembergue Bragança, psiquiatra infantil e presidente da Associação Brasileira de Neurologia e Psquiatria Infantil do Rio de Janeiro.
A parceria dos pais com o tratamento do filho é outro ponto importante. Um ambiente acolhedor só vai amenizar os possíveis efeitos colaterais da medicação. Pais constantemente tensos porque os filhos têm de tomar remédio podem deixar a criança ansiosa.
Lippi alerta, também, que o uso de medicação na infância é algo que precisa ser avaliado rigorosamente pelo profissional, porque a criança está em constante desenvolvimento físico, emocional, cognitivo e do sistema nervoso. “Não se deve medicar a criança por qualquer coisa. O diagnóstico preciso é que vai mostrar a necessidade ou não do remédio. E este, quando usado com critério, só vai beneficiar a criança”, diz Lippi. Revista Crescer